A resposta de ontem De quem Derrick Macnutt tirou o pseudônimo Ximenes? Do cardeal espanhol Francisco Jiménez de Cisneros, inquisidor-geral de Castela a partir de 1507. Macnutt manteve a linhagem do antecessor no The Observer, Edward Powys Mathers, que assinava Torquemada, o primeiro inquisidor-geral da Espanha; mais tarde, Jonathan Crowther assumiu a coluna como Azed, Deza ao contrário, outro inquisidor. |
O poema se chama Beowulf, e tem 3.182 versos em inglês antigo, a língua dos anglo-saxões. Conta a história de um guerreiro do povo geata, do sul da atual Suécia, que atravessa o mar para livrar o salão do rei dinamarquês Hrothgar de um monstro chamado Grendel.
O texto sobreviveu numa cópia só. Ela está no manuscrito Cotton Vitellius A.xv, guardado na British Library, em Londres, e escrito por dois copistas em algum momento entre o fim do século X e o começo do XI. A data em que o poema foi composto continua em disputa, porque nenhum documento da época a registra.
Em 1731, um incêndio na Ashburnham House, onde ficava a coleção do antiquário Robert Cotton, chamuscou as bordas das folhas. Parte das letras na margem se perdeu, e os editores reconstroem esses trechos por comparação com cópias feitas no fim do século XVIII.
É nessas folhas que os compostos aparecem. Hronrād está no verso 10, logo na abertura, quando o poema conta que os povos além da estrada da baleia pagavam tributo ao rei Scyld. Bānhūs aparece no verso 2508, quando Beowulf esmaga o corpo de um inimigo com as mãos.
Há muitos outros. Swanrād, estrada do cisne, também é o mar, no verso 200. Beadolēoma, luz da batalha, é a espada que brilha no verso 1523. Woruldcandel, vela do mundo, é o sol, no verso 1965.
O recurso ganhou nome séculos depois e longe da Inglaterra. Por volta de 1220, o poeta islandês Snorri Sturluson escreveu a Edda em prosa, um manual para jovens poetas, e chamou essas figuras de kenningar, plural de kenning (designação, palavra que caracteriza algo sem dizer o nome). O termo vem do verbo nórdico kenna, conhecer ou reconhecer.
Snorri descreve a estrutura. Toda kenning tem uma base e um determinante. Na estrada da baleia, estrada é a base, e sozinha não basta, porque estrada de terra não é mar. A baleia é o determinante, que puxa a estrada para dentro da água.
Nenhuma das duas peças é o mar. Só a soma chega a ele.
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