A resposta de ontem Quem pôs cera e ouro no título de um livro em 1965? Donald N. Levine, sociólogo da Universidade de Chicago. Depois de pesquisa de campo na Etiópia no final da década de 1950, publicou Wax and Gold: Tradition and Innovation in Ethiopian Culture (University of Chicago Press, 1965) e voltou ao gosto amárico pela ambiguidade em The Flight from Ambiguity, de 1985. |
O avião era o Boeing Model 299, protótipo do futuro B-17, e a demonstração aconteceu no Wright Field, o campo de provas do Air Corps (a aviação do Exército americano), em Dayton, no estado de Ohio, no dia 30 de outubro daquele ano.
No comando estava o major Ployer Peter Hill, chefe da seção de testes de voo do Air Corps, piloto com fama de metódico. Ao lado dele, o tenente Donald Putt, copiloto. Atrás, Leslie Tower, piloto de testes da própria Boeing, e mais dois ocupantes: um mecânico da fabricante e um representante da Pratt & Whitney, a empresa dos motores.
O 299 correu, decolou e subiu a cerca de 90 metros. Ali empinou demais, estolou (perdeu a sustentação das asas por excesso de inclinação) e despencou sobre o campo. Hill não resistiu aos ferimentos naquele mesmo dia. Tower ficou alguns dias no hospital e também não sobreviveu. Putt e os outros dois escaparam.
A investigação encontrou o defeito fora do motor e fora da asa. O 299 tinha uma trava de comando, chamada em inglês de gust lock (trava contra rajada), que prendia o profundor (a superfície da cauda que sobe e desce o nariz) e o leme com o avião estacionado, para o vento não sacudir as peças no chão.
Ninguém soltou a trava antes da decolagem. Com o profundor preso, Hill não tinha como baixar o nariz quando o avião começou a empinar. Relatos da época contam que Tower tentou alcançar a alavanca da trava na cabine, mas a altura já não dava tempo para corrigir.
O relatório não culpou a máquina. Culpou o esquecimento, e um esquecimento de profissional. O peso da conclusão estava na ficha de Hill: se o chefe de testes do Air Corps esqueceu a trava, qualquer piloto esqueceria O problema morava na complexidade do avião.
Um jornal da época resumiu o diagnóstico numa frase que a Boeing guardou como ferida: o 299 era avião demais para um homem só pilotar. A concorrência foi para a Douglas, com o B-18, mais barato e mais simples.
O Exército, mesmo assim, aproveitou uma brecha do contrato e encomendou 13 unidades do Boeing para continuar os testes. Os pilotos que iam voar esses aviões sentaram para escrever uma lista de verificação, em inglês checklist, dividida em quatro momentos: taxiamento (o deslocamento do avião no chão), decolagem, voo e pouso.
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