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Quem cuida de projeto arriscado costuma adiar o texto difícil com uma frase pronta: “Se der errado, a gente escreve na hora.” Na hora, ninguém escreve bem. O texto sai com pressa, com medo e na ordem errada, e as pessoas mais atingidas recebem a notícia junto com todo mundo.
A ordem errada pesa mais do que a frase mal escolhida. O comunicado vai para a lista geral antes da ligação para quem perdeu mais. O cliente descobre pelo site. A família descobre pela televisão.
Na Casa Branca de 1969, um redator fez o contrário. Dois dias antes do primeiro pouso tripulado na Lua, o redator de discursos do presidente Richard Nixon entregou um memorando de uma página com o título “In Event of Moon Disaster” (Em Caso de Desastre Lunar).
O papel previa o pior desfecho possível da missão Apollo 11. Neil Armstrong e Edwin Aldrin pousam, o motor de subida do módulo lunar falha, e os dois ficam na superfície, vivos, sem caminho de volta.
O discurso chora os dois enquanto eles ainda respiram. Fala de luto com verbos no presente, porque, na hipótese do texto, o presidente leria a mensagem ao país com os astronautas vivos, a 384 mil quilômetros da Terra, à espera do oxigênio acabar.
Antes da primeira linha do discurso, a página traz uma instrução de bastidor, sob um aviso em letras maiúsculas: o presidente deveria telefonar para cada uma das futuras viúvas. Só depois vinha o texto para a nação.
A ordem da folha é a decisão mais importante do documento. Quem perde mais ouve primeiro, pela voz do presidente, e o resto do planeta ouve depois, pela televisão. O redator resolveu a sequência com calma, numa sala de escritório, sem relógio correndo.
O pouso deu certo, o motor funcionou, e o memorando ficou guardado nos arquivos, sem uso, por três décadas. Lido hoje, ele ensina mais sobre escrever notícia ruim do que muito manual de comunicação de crise.
A Desmontagem abre a folha, mostra as três partes, quem encomendou o texto e por que um dos três tripulantes ficou fora dele.
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