A resposta de ontem Quem apelidou o Boeing 299 de Fortaleza Voadora? Richard L. Williams, repórter do The Seattle Times. Ao ver o protótipo sair do hangar da Boeing em 1935, cheio de posições de metralhadora, ele escreveu na legenda da foto 15-Ton Flying Fortress, e a Boeing gostou tanto da expressão Flying Fortress que a registrou como marca do avião. |
Leandro Gomes de Barros nasceu em 1865 em Pombal, no sertão da Paraíba, e fez a vida adulta no Recife imprimindo e vendendo os próprios versos. Os pesquisadores da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, que guarda um dos grandes acervos de folhetos do país, apontam nele o primeiro poeta brasileiro a viver da venda de cordel.
Leandro publicou a partir de 1893, em tipografias do Recife, e escreveu centenas de títulos até 1918, ano da morte dele. Os temas iam da sátira ao governo às histórias de princesa, e quase todos saíam em sextilha.
A forma que ele consolidou veio da cantoria de viola, o repente cantado em dupla nas fazendas e nas feiras. O cantador improvisa na hora, e a sextilha com três rimas é a estrofe mais generosa para quem cria sem papel: a cada dois versos, só um precisa achar o som combinado.
A conta das sílabas também tem regra própria. Conta-se até a última sílaba forte do verso, e vogais vizinhas entre palavras se fundem numa só, como em “pendura o folheto”, em que o final de “pendura” e o artigo “o” contam como uma sílaba só.
Os versos ímpares funcionam como respiro. Neles entra a informação: quem chegou, o que trazia, em que cidade. Nos versos pares entra o arremate sonoro, que gruda o verso na memória de quem ouviu uma vez só, na feira, sem comprar o folheto.
Muitos compradores dos primeiros folhetos não sabiam ler. Levavam o folheto para casa e pediam a um vizinho alfabetizado que lesse alto à noite, no terreiro. O folheto vivia no ouvido antes de viver no olho, e a rima fixa nos pares servia de trilho para quem acompanhava sem ver a página.
A sextilha aguenta peso porque a mesma rima volta três vezes. O poeta precisa achar três palavras com o mesmo final. Quem escolhe uma terminação farta, como -ão, ganha rima fácil e perde surpresa; quem escolhe -el ou -ilha tem menos opções, e cada achado soa conquistado.
Leandro também usava a septilha, estrofe de sete versos em que o segundo, o quarto e o sétimo rimam entre si e o quinto rima com o sexto. Usava ainda a décima, estrofe de dez versos que a cantoria reserva aos desafios mais duros.
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