A resposta de ontem Em que revista saiu o ensaio de Orwell, em abril de 1946? Foi a Horizon, revista literária de Londres editada por Cyril Connolly, colega de Orwell no colégio St Cyprian's e em Eton. O ensaio saiu no número 76, de abril de 1946, e em 1950 entrou na coletânea Shooting an Elephant and Other Essays (O abate de um elefante e outros ensaios). |
A autora assinava Sei Shōnagon e era dama de companhia da imperatriz Fujiwara no Teishi em Heian-kyō, a capital que hoje se chama Quioto. Sei vem de Kiyohara, o clã da família dela; Shōnagon era um título da corte, algo como secretária menor. O nome próprio dela não chegou até nós: nenhum documento da época o registra, e as hipóteses dos estudiosos seguem sem prova.
Ela entrou para o serviço da imperatriz por volta de 993. O livro nasceu, segundo o próprio epílogo, de um presente: o irmão da imperatriz, Fujiwara no Korechika, trouxe uma pilha de papel fino, e a imperatriz perguntou o que fazer com ela. Shōnagon respondeu que daria um travesseiro, e ganhou o papel.
O sentido de travesseiro no título continua em aberto. Há quem leia caderno de cabeceira, guardado perto da cama; há quem leia uma reserva de palavras para poemas. O epílogo não decide, e os especialistas também não chegaram a acordo.
O resultado é o Makura no Sōshi (O Livro do Travesseiro), com cerca de trezentas passagens curtas. Parte é diário da corte. Parte é reflexão solta. E boa parte são listas temáticas, chamadas monozukushi (catálogos por tema): rios, pássaros, o que irrita, o que dá vergonha.
A lista de hoje se chama kokoro tokimeki suru mono (o que faz o coração acelerar). Tokimeki (o pulsar do peito) nomeia a batida diante de algo que ainda não aconteceu. Ivan Morris, que traduziu o livro para o inglês em 1967, pela Columbia University Press, verteu o título como “Things That Make One's Heart Beat Faster”.
Agora a desmontagem, item por item. Os pardais com filhotes abrem a lista pela ternura: um ninho é frágil, e o coração acelera por cuidado. As crianças brincando repetem o tom e criam a expectativa de uma lista doce.
O incenso no quarto vazio muda a temperatura. A dama dorme sozinha, e o perfume sugere que alguém pode ter estado ali, ou pode vir. A ternura vira desejo, sem que a autora troque de assunto.
O espelho chinês turvo é o item mais estranho da fila. Um espelho de bronze que embaça avisa que o tempo passou, que o objeto pede polimento, talvez que o rosto também mudou. O coração acelera, desta vez, por um susto pequeno.
A carruagem que para no portão junta desejo e susto. A roupa perfumada vestida para ninguém volta ao prazer íntimo. A chuva na noite de espera, por fim, amarra os fios: expectativa, desejo e sobressalto cabem no mesmo barulho na janela.
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