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As funções formam uma fila. Propp resumiu o achado em quatro teses: as funções são as peças constantes do conto, o número delas é limitado, a sequência delas é sempre idêntica e todos os contos de magia pertencem a um só tipo de construção.
A fila começa com sete funções de preparação: um membro da família se afasta de casa, o herói recebe uma proibição, a proibição é quebrada, o vilão sonda a vítima, obtém a informação, arma um ardil, e a vítima cai nele.
A oitava é o motor da história: o dano. O vilão rapta, rouba, enfeitiça ou expulsa alguém da família. Nos contos sem vilão, Propp anotou a variante da carência, quando falta algo à família: uma noiva, um objeto mágico, dinheiro.
Da nona à décima nona função corre o miolo. O herói sabe da desgraça, decide reagir e parte, encontra o doador (quem testa o herói e lhe entrega o meio mágico), passa pela prova, recebe a ajuda, é levado ao lugar do objeto procurado, enfrenta o vilão, ganha uma marca, vence e repara o dano.
As doze últimas cuidam da volta. O herói regressa, é perseguido, se salva, chega em casa sem ser reconhecido, encontra um falso herói reclamando a façanha, recebe e cumpre uma tarefa difícil, é reconhecido, vê o impostor desmascarado, ganha nova aparência, assiste ao castigo do vilão e se casa.
Os contos raramente percorrem a fila inteira. O do dragão pode ir direto da vitória ao casamento, sem perseguição nem impostor. Propp registrou o efeito desses saltos: a falta de algumas funções não altera a ordem das demais. O conto retoma a fila no ponto seguinte, como um leitor que pula capítulos sem embaralhar o livro.
A fila também pode correr duas vezes. Quando um segundo dano surge depois do primeiro reparado, Propp contava uma nova sequência, o movimento (cada ciclo completo, do dano à reparação); um conto longo encadeia dois ou três.
O mesmo raciocínio enxugou o elenco: as 31 funções se repartem entre sete esferas de ação (os papéis possíveis na trama), do vilão e do doador ao herói e ao falso herói.
A tese da ordem fixa foi a mais contestada. Em 1960, o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss resenhou a tradução inglesa e acusou Propp de separar a forma do conteúdo. Propp respondeu em 1966, na edição italiana: tinha estudado um gênero só, e o título original, Morfologia do Conto de Magia, perdera as duas últimas palavras por decisão do editor.
O motivo da ordem ficou para outro livro. Em 1946, Propp ligou a fila a antigos ritos de iniciação (a passagem do jovem para a vida adulta, com afastamento da aldeia, provas e volta transformado), hipótese que segue em debate entre folcloristas.
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