A resposta de ontem Quem pagou a primeira tiragem do livro de Fannie Farmer? A própria Fannie Farmer. A Little, Brown and Company duvidava da venda de um livro de cozinha e só aceitou publicar se a autora bancasse a impressão da primeira tiragem, de 3.000 exemplares, em 1896. Os exemplares se esgotaram, e a editora passou a reimprimir o livro por conta própria, edição após edição. |
O Talmude Babilônico da edição Romm começa pelo tratado Berakhot (Bênçãos), e a página inicial dele leva o número 2a. A folha 1 é a de rosto. Cada folha tem frente e verso, chamados “a” e “b”, e quem cita o Talmude cita assim: Berakhot 2a, Shabat 31a.
No centro está a Mishná (a primeira compilação escrita da lei oral judaica), fechada perto de 200 d.C. na Galileia pelo rabino Judá, o Príncipe. Logo depois dela, no mesmo bloco, vem a Gemara (o debate dos rabinos sobre a Mishná), reunida nas academias da Babilônia até perto de 500 d.C.
O bloco central já é uma conversa. A Gemara registra opiniões de sábios separados por gerações, diz quem falou o quê e muitas vezes deixa a disputa sem vencedor. A página abre com uma dúvida da Mishná: desde quando, à noite, se recita o Shemá (a oração “Ouve, Israel”)?
A resposta vem na mesma linha. A recitação começa na hora em que os sacerdotes entram em casa para comer a terumá (a parte da colheita reservada a eles), ou seja, ao anoitecer. O limite fica em disputa: o rabino Eliezer diz até o fim da primeira vigília, os sábios dizem até a meia-noite, e Rabban Gamliel estende até o amanhecer.
Na margem interna, perto da lombada, corre o comentário de Rashi, sigla do rabino Shlomo Yitzchaki, que viveu entre 1040 e 1105 em Troyes, na França. Rashi explica a Gemara palavra por palavra e traduz termos difíceis, às vezes para o francês antigo da época.
Na margem externa ficam os Tosafot (“acréscimos”, em hebraico), notas escritas nos séculos XII e XIII por escolas da França e da Alemanha, várias delas fundadas por netos e discípulos de Rashi. Os Tosafot comparam trechos distantes do Talmude e, com frequência, discordam do próprio Rashi, impresso a poucos centímetros na mesma folha.
Nos cantos aparecem notas miúdas: o Ein Mishpat (“fonte do julgamento”), que remete aos códigos de lei, e o Torá Or (“a Torá é luz”), que indica de onde vem cada versículo citado. As duas foram compiladas pelo rabino Joshua Boaz, na Itália do século XVI.
A tipografia separa as vozes. O texto central sai em letra quadrada, a das Escrituras. Rashi e os Tosafot saem numa letra semicursiva, mais estreita, conhecida até hoje como “letra Rashi”, embora o próprio Rashi nunca a tenha usado: o nome veio dos impressores italianos.
A própria Gemara ensina a ler uma página onde todos discordam. No tratado Eruvin, depois de três anos de disputa entre a escola de Hillel e a de Shammai, uma voz do céu decide:
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