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O artigo se chama “Molecular Structure of Nucleic Acids” (Estrutura Molecular dos Ácidos Nucleicos) e foi assinado pelo americano James Dewey Watson, então com 25 anos, e pelo inglês Francis Harry Compton Crick, com 36, ambos do Laboratório Cavendish, em Cambridge. Saiu na revista Nature de 25 de abril de 1953, volume 171, páginas 737 e 738.
A primeira frase diz, em inglês: “We wish to suggest a structure for the salt of deoxyribose nucleic acid (D.N.A.).” Em português: “Desejamos sugerir uma estrutura para o sal do ácido desoxirribonucleico (DNA).” A segunda acrescenta que a estrutura tem características novas “de considerável interesse biológico”. É todo o entusiasmo que a abertura se permite.
O parágrafo seguinte descarta o modelo de três fitas que Linus Pauling e Robert Corey, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, tinham publicado em fevereiro daquele ano. Os autores dizem que o modelo não os satisfaz e dão duas razões técnicas. Nenhum adjetivo contra o químico mais famoso da época.
Depois vem a proposta: duas cadeias helicoidais (em forma de espiral) enroladas no mesmo eixo, correndo em sentidos opostos. Os fosfatos ficam na parte externa. As bases, as quatro peças que variam ao longo da molécula, ficam para dentro, empilhadas a cada 3,4 angstroms (o angstrom é um décimo de milionésimo de milímetro).
O centro do artigo é o pareamento. As bases se ligam aos pares, uma de cada cadeia, sempre na mesma combinação: adenina com timina, guanina com citosina. Conhecida a sequência de uma fita, a outra fica determinada automaticamente.
O texto ampara a regra em dado alheio. Cita as análises do bioquímico Erwin Chargaff, da Universidade Columbia, que desde 1950 encontravam quantidades parecidas de adenina e timina em toda amostra, assim como de guanina e citosina. O modelo explicava por que a conta sempre batia.
Também admite limites. Os autores escrevem que os dados de raios X publicados até ali não bastavam para um teste rigoroso e que a estrutura devia ser tratada como não provada até ser conferida com resultados mais exatos. Lembram que dois artigos vizinhos, na mesma edição, traziam esses resultados.
Os vizinhos eram do King's College de Londres: um texto de Maurice Wilkins, Alexander Stokes e Herbert Wilson, e outro de Rosalind Franklin e Raymond Gosling, com a Fotografia 51, uma imagem de difração (o desenho que os raios X deixam ao atravessar a amostra) em forma de X que denunciava uma hélice.
Só então aparece a frase. Em inglês: “It has not escaped our notice that the specific pairing we have postulated immediately suggests a possible copying mechanism for the genetic material.” Ela encerra o argumento; depois dela vêm só uma linha prometendo os detalhes em outra publicação e os agradecimentos.
Os agradecimentos dizem que os autores foram estimulados pela “natureza geral” dos resultados não publicados de Wilkins, Franklin e colegas. Franklin não sabia que Wilkins tinha mostrado a Fotografia 51 a Watson em janeiro de 1953. A linha virou motivo de disputa por décadas.
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